Roubalheiras

Terminado o “Magusto” e as Ceias que se lhe seguiam, na noite de 4 para 5 de Dezembro, os estudantes espalhavam-se pela cidade sorrateiramente, noite adentro, fazendo mudar de lugar as mais variadas coisas e desviando outras, aparecendo todas de manhã, junto ao Pinheiro, antigamente levantado no Largo do Toural.

As “Roubalheiras” seguem um costume popular muito velho, difundido um pouco por todo o país, ligado às Festas de S.João. Como refere Alberto Vieira Braga, “na noite e madrugada do dia deste Santo, celebrava-se tradicionalmente a «noite da fogueiras», em que o povo se comprazia a «desviar» todo o tipo de objectos deixados ao sereno e a transportá-los para junto de uma fogueira ateada no adro da igreja, ou então para junto do cruzeiro ou torre da freguesia …, dando ocasião a situações, umas vezes divertidas, outra vezes inconvenientes, e outras vezes ainda desagradáveis … não sendo raro que os desvios operados dessem origem a mal entendidos e zaragatas.”

Assim, baseados nessa tradição, os estudantes vimaranenses deram início às “Roubalheiras”, percorrendo a cidade durante a noite e deitando mão a todo o tipo de objectos, levando-os depois para o Toural. No dia seguinte, a cidade parava para ver o resultado daquela noite de intenso “labor” estudantil.

São tabuletas de médicos, advogados, cabeleireiras, ferradores, agências funerárias que aparecem com as placas trocadas, fechaduras de portas alteradas, galinheiros e estábulos assaltados, habitações esvaziadas do seu recheio, casotas de cão sem cão e cães destituídos de casota…
Ficou célebre por exemplo, no tempo da 2ª Guerra Mundial, a cena de um jumento com o nariz metido num funil, com a inscrição: “Hitler a falar ao Mundo!”. Ou aquela em que se “roubou” os carrinhos de choque de um parque de diversões itinerante, tendo-se feito uma corrida de carrinhos de choque, a descer a Avenida Conde de Margaride…!

2004.12.02 - Roubalheiras (13)
1999.12.03 - Roubalheiras

Uma vez mais devido à introdução de alguns Futricas, as “Roubalheiras” começaram a ser aproveitadas por alguns, para roubar verdadeiramente e com toda a impunidade, facto que levou a que a realização das “Roubalheiras” fosse inibida pelas autoridades, tendo este número deixado de fazer parte das Festas Nicolinas.

No entanto e uma vez mais nos anos 90 do século passado, mais concretamente em 1994, por iniciativa da Comissão de Festas presidida pelo Rui Dias de Castro (Chinês), foi recuperado o número das “Roubalheiras”, mas agora, em moldes ligeiramente diferentes, adaptado aos novos tempos e tendo presentes as razões que conduziram à sua interdição.

Actualmente, as “Roubalheiras” realizam-se discretamente, em noite incerta da “Semana Nicolina”, mediante aviso prévio às forças de segurança. Todos os participantes nas “Roubalheiras” têm que estar devidamente credenciados pela Comissão de Festas, que lhes disponibiliza igualmente cartões identificativos próprios e os avisos oficias para deixar colocados nas casas ou lojas “assaltadas”.

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