Posses / Magusto

Segundo reza a tradição, “foi um cónego da Colegiada que legou em testamento (no século XVII) uma dádiva anual aos coreiros da Colegiada (padres), que se instituiu como «Posse». Dela usufruía m, a par dos coreiros, também os estudantes que conjuntamente com eles frequentavam as aulas de Latim na Escola da Colegiada. Essa «Posse» recolhida na Casa da Renda, em Santo Estêvão de Urgeses, era constituída por castanhas, vinho, maçãs, tremoços, nozes e palha”.
As “Posses” Nicolinas, que não sendo mais que uma recolha de géneros alimentares feita pelos estudantes para distribuir pela população naquele que antigamente era o único dia das festas – o dia 6 de Dezembro – foram sendo movidas, inicialmente para o dia 5 e depois para o dia 4 de Dezembro, onde se têm mantido até hoje.

As “Posses” iniciam-se às 21.00h, nelas participando apenas os estudantes que são membros da Comissão de Festas, que são quem tem obrigação de pedir os “comes e bebes” com que depois vão presentear a população, no “Magusto”. Nesse cortejo, eram acompanhados pela população com archotes (o que ainda sucede, com excepção para os archotes) e por uma Banda de Música que por todo o percurso toca o “Hino Escolástico”, também designado como o Hino das Nicolinas.

As “Posses” saem do Campo da Feira, percorrendo todas as ruas e ruelas do Centro Histórico, abrilhantando-o, em percurso sempre definido em função das casas onde haja “paragem” combinada.

2008.12.04 - Posses (22)
2000.12.04-Posses05

Ficaram famosas as Posses de muitas casas como as do Dr. Matos Chaves, das Freiras de Santa Clara, as do Mestre Venâncio, as do Chasco, as do Penafort, etc. Em todas estas, antes da entrega da posse, o cicerone emite uns dizeres, quase sempre em verso, através dos quais transmite mensagens aos estudantes e faz rir a população que os acompanha. Havia até mesmo as Posses Macarrónicas, que tinham só actos ou treta, veja-se a Posse do Barroca que “oferecia” aos estudantes sempre o mesmo discurso, gritando: “Estudantes: como não tenho nada para vos dar, mostro-vos o rabo…”. Já mais recentemente, no século passado, é de registar o “gozo” que dava a Posse do Ourado (onde imperava a famosa Clotilde e outras beldades da época…).

A mais importante de todas as ainda existentes, a Posse dos Velhos que era dada na Rua de Camões, no tasco dos Três Unidos, onde alguns velhos se juntavam e davam aos novos, em jeito mais de gozo que de posse, alguns fardos de palha, uma pia para porcos, alguns cabazes e umas garrafas de vinho, posse esta que é agora na Adega do Quim, em Santa Luzia. São também de destacar a Posse da Torre dos Almadas, dada pela Associação dos Antigos Estudantes do Liceu de Guimarães / Velhos Nicolinos, a nova Posse da Rua de Camões, também de velhos mas estes mais novos, e agora dada no Marisqueira, pela Associação de Comissões de Festas Nicolinas e a Posse da Rua Nova.

Depois de recolhidas as “Posses”, tem início o “Magusto” que é a cerimónia em que à volta de uma fogueira, os estudantes oferecem à população o resultado das oferendas de todas as posses realizadas. Partilham-se as castanhas e o vinho e convive-se com a população pela noite dentro. Isto levou a que, em meados do século passado, o “Magusto” tivesse mesmo que ser interditado pelas autoridades, uma vez que começou a haver a intromissão de alguns desordeiros, estranhos às Festas, que sob o efeito do álcool provocavam os estudantes, que se viam obrigados a ripostar, gerando-se muitas vezes confusão e perturbação da ordem pública. No entanto, desde a década de noventa do século passado, o “Magusto” foi recuperado, agora na Praça de Santiago, tendo decorrido sem excepções, de uma forma ordeira e unicamente sob o espírito da partilha entre estudantes e população.

Em resumo, depois deste número muito peculiar das “Posses”, que merece a pena acompanhar numa caminhada pela cidade Histórica a fazer lembrar um certo “regresso ao passado”, proporciona-se um momento importante em que os estudantes revelam o seu altruísmo ao recolher os géneros alimentares e em lugar de os guardarem, partilharem-nos com toda a população que os acompanhou no cortejo.

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