Pinheiro – 29 de Novembro

Embora seja hoje o primeiro número oficial na celebração profana das Festas Nicolinas, e também de longe o mais participado, o “Pinheiro”, tal como hoje o conhecemos, não é um dos primitivos Números Nicolinos. O seu aparecimento como número nicolino deve-se à evolução do aproveitamento de uma tradição popular tipicamente minhota, que consistia em levantar no largo onde se realizam as festas, um grande mastro, normalmente um pinheiro, anunciador do início dos festejos, aí permanecendo ao longo da duração das festas. De tal modo que inicialmente, o grande anunciador das Festas Nicolinas não era o “Pinheiro”, mas antes o “Pregão”, uma vez que se realiza no dia antecedente ao dia de S.Nicolau (6/Dezembro), servindo precisamente para anunciar a realização de mais uma festas.

De qualquer forma, o “Pinheiro” representa hoje o mais participado número nicolino, sendo igualmente o mais difundido por todo o país.
As raízes deste cortejo, remontam aos inícios do século XIX e o seu modelo mantém-se na essência, inalterado: o “Pinheiro” segue enfeitado com lanternas e um festão com as cores escolásticas (verde e branco), pousado em carros puxados por juntas de bois, levando à sua frente uma representação da figura da deusa Minerva, deusa da sabedoria (que na realidade é desempenhada por um homem travestido com um traje de soldado romano). O cortejo é liderado pela figura máxima deste dia, um membro da Comissão de Festas, o Chefe de Bombos. É ele quem conduz e lidera todo o cortejo do “Pinheiro”, e atrás de si e da sua “boneca” – que usa para marcar o ritmo dos bombos – seguem os estudantes, novos e velhos, rufando nas caixas o toque do Pinheiro e batendo forte nos bombos ao ritmo marcado pelo Chefe de Bombos.

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O “Pinheiro” encerra igualmente uma simbologia que se prende com o facto de ser tradicionalmente conduzido apenas pelos homens da cidade. O “Pinheiro” é, neste sentido, a representação simbólica e figurativa da órgão sexual masculino (daí o facto de se escolher, por tradição, “o mais alto pinheiro da região”), que é ostentado orgulhosamente pelos homens da cidade, numa manifestação de masculinidade durante o cortejo que se mantém inalterada nos comportamentos dos participantes até aos nossos dias. E esta ostentação masculina é desempenhada perante as meninas da cidade que, tradicionalmente, assistem ao desfile sem poder participar .Razão pela qual, aliás, em sua homenagem, lhes é dedicado o número das “Maçãzinhas” no dia mais importante (dia 6 de Dezembro, dia de S.Nicolau), estando as meninas nas janelas, representação simbólica do local onde estiveram ao longo de todo os números.

A título de mera curiosidade é de referir que, por uma única vez, houve um ano em que o “Pinheiro” não se festejou a 29, mas antes a 30 de Novembro; foi em 1951, devendo-se essa alteração ao facto de, nesse ano, o regime republicano ter decretado luto nacional pelo falecimento da Rainha D.Amélia de Orleans e Bragança, viúva de D.Carlos I. Este facto, até por ter sido isolado, não só manifesta a associação inequívoca dos estudantes vimaranenses e da festa nicolina ao decretado luto nacional, como serviu como uma forma de prestar respeito, à herança e à História da Nação Portuguesa.

No dia do “Pinheiro”, o cortejo é antecipado pelas tradicionais “Ceias Nicolinas”.
Na origem directa da tradição das Ceias Nicolinas está a Ceia que os Irmãos de São Nicolau (membros da Irmandade de S.Nicolau) tinham por hábito realizar, todos os anos, na passagem do dia da festa religiosa do santo, com o objectivo de conviver, apreciar o desempenho da Irmandade naquele ano e programar actividades futuras. Tendo como base esta Ceia e tendo em conta que o “Pinheiro” é o único número que se realiza à noite (razão principal do seu sucesso em termos de adesão da população), as “Ceias Nicolinas” foram sendo criadas, como um jantar de convívio entre grupos de antigos estudantes, que se encontram apenas uma vez por ano, neste dia, para juntos desfilarem pelas ruas da cidade relembrando os velhos tempos. Constituíram-se algumas Ceias famosas como a do “jantar do penico” na tasca do Carneiro, a da Pescoça, a do Zé da Costa e a do Terrinha. Hoje em dia, reúnem ainda muitas tertúlias nicolinas neste dia.

A “Ceia Nicolina” é tradicionalmente composta por caldo verde com tora, papas de sarrabulho, rojões de porco com batatas, tripas com grelos e castanhas assadas, sempre bem regadas com (muito) vinho verde da região (branco ou tinto).

Este é um dia muito especial, em que regressam à terra os vimaranenses de todo o Mundo.

O cortejo arranca sempre à meia-noite (0.00h), num desfile de milhares de pessoas, saindo como antigamente do Terreiro do Cano ao lado do Campo de S.Mamede (parte alta da cidade), passando depois pelo Castelo de Guimarães, Palheiros, Rua de Santo António, Toural, Alameda S.Dâmaso e Campo da Feira, vindo depois a terminar no Largo de S.Gualter, ao lado da Igreja de Santos Passos, num local agora definitivo, onde tem uma placa evocativa.

Após o final do cortejo, numa tradição ainda recente mas que faz já parte integrante da “Noite do Pinheiro”, os estudantes deslocam-se até à Alameda Abel Salazar, em frente ao antigo e simbólico Liceu Nacional de Guimarães, para aí ficarem a rufar o toque do Pinheiro, até ao raiar do dia. Esta tradição iniciou-se porque há alguns anos, não havia dispensa de aulas na manhã a seguir ao “Pinheiro”, razão pela qual, os estudantes ali ficavam a tocar até ao início das aulas do dia seguinte, para impedir a sua realização.
Como se diz num escrito de 1883, manda a tradição que o Pinheiro “tem de levantar-se com a costumada bandeira para anunciar os Festejos de São Nicolau”.

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